MEDIATECA ONSHORE tem vindo a funcionar de forma nómada com recursos limitados desde 2018. Sana na N'hada, Filipa César e a Geba Filmes organizaram os encontros em diálogo com os coletivos Cadjigue e Atingo Iacanto. Os projetos têm sido apoiados por vários aliados e são frequentemente acolhidos pela Casa do Ambiente, a sede do IBAP - Instituto de Biodiversidade e Conservação da Natureza, na ilha de Bubaque.



MEDIATECA ONSHORE



MEDIATECA ONSHORE tem vindo a funcionar de forma nómada com recursos limitados desde 2018. Sana na N'hada e Filipa César organizaram os encontros em diálogo com os coletivos Cadjigue e Atingo Iacanto. Os projetos têm sido apoiados por vários aliados e são frequentemente acolhidos pela Casa do Ambiente, a sede do IBAP - Instituto de Biodiversidade e Conservação da Natureza, na ilha de Bubaque.


ENCONTROS




TCHON TCHOMA (Soil Calling)
workshop

7-14 Outobro 2018
Casa do Ambiente
Bubaque

Em colaboração com IBAP


As estátuas também morrem, o filme-panfleto anti-colonial de 1953 de Alain Resnais, Chris Marker e Ghislain Cloquet, é uma das primeiras intervenções cinematográficas ocidentais contra a prática de apropriação colonial e de extração de recursos. Considerado como um dos primeiros filmes antirracistas conhecidos na cultura cinematográfica ocidental, Les statuesmeurent aussi propõe uma análise poética e crítica do programa colonial sistemático, ao versar-se sobre a extração e musealização de objetos rituais após terem sido removidos do seu contexto africano. Enquanto pode ser considerado o primeiro filme anti-colonial, as centenas de anos de resistência contra a violência estão inscritas na arte e nos rituais destas culturas saqueadas. Imediatamente censurado pelo Ministério Francês da Cultura, o filme é um testemunho do poder dos mecanismos audiovisuais para a transmissão e criação de contra-narrativas.

Os escultores das ilhas Bijagós são conhecidos por serem os mais talentosos a esculpir as suas epistemologias na madeira. A vida deles está intrinsecamente ligada com entidades animadas e inanimadas que habitam as 88 ilhas Bijagós. O grupo étnico Bijagó desenvolveu uma cosmologia ambientalista que protege a ecologia do arquipélago através da sua sacralização. O seminário “Tchon Tchoma” parte duma narrativa: o regresso duma escultura bijagó de Berlim a Bubaque, a ilha onde foi esculpida. Este retorno despoleta várias problemáticas e levanta questões complexas: O que é uma “escultura ritual”? O que é uma “escultura comercial”? Qual é a diferença entre os dois termos? O que aconteceu às esculturas rituais, após terem sido levadas da baloba (espaço sagrado bijagó) e colocadas num museu ocidental? O que aconteceu aos espíritos e às entidades sagradas que o habitavam? O que significa restituição? O que significaria reproduzir as esculturas em formato digital e imprimi-las em 3D para musealização? Qual é o valor económico e o poder social delas? Se as estátuas também morrem, o que significa para uma escultura estar viva? Qual é a posição dos escultores bijagós em relação às obras restituídas?

O Cadjigue, em diálogo com Marinho Pina e Filipa César, criou organicamente uma metodologia de pesquisa que inclui a preparação de entrevistas, debates, escrita criativa, construção de cenários, especulações, ideias para a investigação forense, representação, ficção científica, música, etc. "Tchon Tchoma" será elaborado como um caso de estudo experimental, que trata de questões da restituição e de extrações coloniais de arte e cultura em formato de ficção científica radical.